Há uns posts atrás, eu citei um livro de C.S. Lewis chamado Cartas de diabo ao seu aprendiz, é um livro que eu gosto e recomendo. Eu havia falado sobre humildade, agora quero retomar o assunto. Senti-me esclarecida ao ler o trecho abaixo, pois ele diferencia humildade de falsa modéstia. Para lê-lo, é importante se lembrar do contexto do livro, ele é escrito do ponto de vista de um demônio, já que se tratam de cartas escritas por um diabo para ensinar o seu sobrinho a tentar um ser humano, sendo assim, o humano é chamado de "paciente" e Deus é chamado de "o Inimigo" nesta leitura.
Antes que você diga "tá amarrado!" e mude de página, saiba que, ironicamente, este livro tem coisas boas escritas e que são de grande valia no bom desenvolvimento de um cristão. Leia primeiro e depois julgue se é tudo heresia ou não. Retenha o que é bom.
"Você deve portanto esconder de seu paciente a verdadeira finalidade da Humildade. Deixe-o pensar nela não como o ato de esquecer de si mesmo, e sim como um certo tipo de opinião (ou seja, uma opinião rasteira) sobre seus próprios talentos e seu caráter. Suponho que ele tenha algum talento. Inculque em sua mente a idéia de que a humildade consiste em tentar acreditar que esses talentos são menos valiosos do que ele acredita que são. Sem dúvida eles são de fato menos valiosos do que ele acredita, mas não é esse o ponto. A grande diferença é fazê-lo dar valor a uma opinião por alguma razão que não seja a verdade, introduzindo, assim, um elemento de desonestidade e faz-de-conta no âmago daquilo que, de outro modo, poderia tornar-se uma virtude. Com esse método, fomos capazes de fazer com que milhares de humanos pensassem que a humildade significa aquilo que sentem as mulheres bonitas que tentam acreditar que são feias, ou os homens inteligentes que tentam acreditar que são tolos. E já que aquilo em que tentam acreditar pode, em alguns casos, ser um absurdo completo, eles não conseguirão, e aí está a nossa oportunidade para fazer com que quebrem a cabeça para tentar alcançar o impossível. É preciso antes avaliar os objetivos do Inimigo para prever Sua estratégia. O Inimigo quer deixar o homem num estado de espírito no qual ele poderia projetar a melhor catedral do mundo, ter consciência de que é a melhor, alegrar-se com o fato, e ainda assim não ficar nem um pouco mais (ou menos) contente por tê-la feito do que ficaria se a catedral tivesse sido projetada por outra pessoa. O Inimigo quer que ele, no fim das contas, livre-se de toda predisposição em proveito próprio para que possa alegrar-se com o próprio talento com a mesma gratidão e sinceridade que sentiria ao testemunhar o talento do seu semelhante- ou ao ver um pôr-do-sol, um elefante, uma cachoeira. Ele quer que cada homem seja a longo prazo capaz de reconhecer todas as criaturas (mesmo ele próprio) como coisas maravilhosas e extraordinárias."
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